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November 04 Solidão é fundamental Por Hilda Lucas
Que me desculpem os desesperados, mas solidão é fundamental para viver.
Sem ela não me ouço, não ouso, não me fortaleço.
Sem ela me diluo, me disperso, me espelho nos outros, me esqueço.
Sem ela os silêncios são estéreis e as noites sôfregas, povoadas de assombramentos e desejos insaciáveis.
Sem
ela não percebo as saídas, os milagres, os espinhos.Não penso solto,
não mato dragões, não acalanto a criança apavorada em mim, não aquieto
meus pavores, meu medo de ser Só
Sem
ela sairei por aí, com olhos inquietos, caçando afeto, aceitando
migalhas, confundindo estar cercada por pessoas sem serem amigos.
Sem ela me manterei aturdida, ocupada, agendada só para driblar o tempo e não ter que me fazer companhia.
Sem
ela trairei meus desejos, rirei sem achar graça, endossarei idéias
tolas só para não ter que me recolher e ouvir meus lamentos, meus
sonhos adiados, meus dentes rangendo.
Sem ela, e não por causa dela, trocarei beijos tristes e acordarei vazia em leitos áridos.
Sem ela sairei de casa todos os dias e me afastarei de mim, me desconhecerei, me perderei.
Solidão é o lugar onde encontro a mim mesma, de onde observo um jardim secreto e por onde acesso o templo em mim.
Medo? Sim. Até entender que o monstro mora lá fora e o herói mora aqui dentro.
Encarar a solidão é coisa do herói em nós, transformá-la em quietude é coisa do sábio que podemos ser.
Num mundo superlotado, onde tudo é efêmero, voraz e veloz a solidão pode ser oásis e não deserto.
Num mundo tão volúvel, desencantado e ansioso a solidão pode ser alimento e não fome.
Num mundo tão barulhento, egoísta, atribulado a solidão pode ser trégua e não luta.
Num mundo tão estressado, imediatista, insatisfeito a solidão pode ser resgate e não desacerto.
Num
mundo tão leviano, vulgar, que julga pelas aparências e
endeusa espertalhões, turbinados, boçais a solidão pode ser proteção e
não contágio.
Num mundo obcecado por juventude, sucesso, consumo a solidão pode ser liberdade e não fracasso.
Tempo e solidão são hoje os bens mais preciosos, o verdadeiro luxo.
Marque
encontros com você mesmo. Experimente. Dê-se um tempo. Surpreenda-se.
Solidão é exercício, visitação. É pausa, contemplação, observação. É
inspiração, conhecimento. É pouso e também vôo. É quando a gente
inventa um tempo e um lugar para cuidar da alma, da memória, dos
sonhos; quando a gente se retira da multidão e se faz companhia. Quando
a gente se livra da engrenagem e troca o medo de ser só pela coragem de
estar só. Não falo de isolamento, nem ruptura ou apartamento. Adoro
gente, mas mesmo assim, e talvez até por isso, preciso de solidão.
Preciso estar em mim para estar com outros.
Ninguém
quer ser solitário, solto, desgarrado. Desde que o homem é homem,
buscamos não ficar sozinhos. Agrupamo-nos, protegemo-nos, evoluímos
porque éramos um bando, uma comunidade. Somos sociáveis, gregários.
Queremos família, amigos, amores. Queremos laços, trocas, contato.
Queremos encontros, comunhão, companhia. Queremos abraços, toques,
afeto. É a nossa vocação. Mas, ainda assim, revendo o poeta, ouso
dizer: é preciso aprender a estar só para se gostar e ser feliz.
O
desafio é poder recolher-se para sair expandido. É fazer luz na alma
para conhecer os seus contornos, clarear o caminho e esquecer o medo da
própria sombra. Existem pensamentos, orações, sorrisos, encontros e
realizações que só acontecem quando estamos a sós. Existem curas,
revelações, idéias, lembranças que só podem vir à tona quando estamos
sós. Mesmo os momentos compartilhados só serão inesquecíveis se uma
parte nossa estiver inteiramente só para apreender tudo que apenas a
nós se revelará e tocará.
Existe uma pessoa que só conhecemos se conseguimos ficar sós: nós mesmos! Seja amigo da solidão. Aceite seus convites, passeie com ela, desmistifique-a. Não corra dela, não tenha medo.
Desassombre-se. Ouse a solidão e fique em ótima companhia.
"Por te falar eu te assustarei e te perderei? Mas se eu não falar eu
me perderei, e por me perder eu te perderia." (Clarice Lispector)
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"Mesmo que seja um sonho, mesmo que seja uma ilusão, se existe dentro de você, é porque é para você." (Zibia Gasparetto)
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"O medo de sofrer é pior que o próprio sofrimento, e nenhum coração
jamais sofreu quando foi em busca do seu sonho." (Paulo Coelho)
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"Não há lugar para a neutralidade. Quando você diz que está neutro em relação a uma situação de injustiça e de opressão, você decidiu apoiar um status-quo injusto." (Desmond)
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"Fica estabelecida a possibilidade de sonhar coisas impossíveis e de caminhar livremente em direção aos sonhos." (Luciano Luppi)
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"A força não provém da capacidade física, e sim de uma vontade indomável." (Mahatma Gandhi)
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"Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundos, mas com
tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força jamais o resgata."
(Drummond de Andrade)
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"A franqueza não consiste em dizer tudo o que se pensa, mas em pensar tudo o que se diz." (Victor Hugo)
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"É sempre melhor ser otimista do que ser pessimista. Até que tudo dê errado, o otimista sofreu menos." (Armando Nogueira)
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"Ainda que os teus passos pareçam inúteis, vai abrindo caminhos,
como a água que desce cantando da montanha. Outros te seguirão."
(Saint-Exupéry)
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"Os mais hábeis na arte de sonhar são sem dúvida também os mais hábeis na arte de realizar seus sonhos." (Autor Desconhecido)
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"A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro." (John Lenon)
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"A persistência é a teimosia com um propósito." (Autor Desconhecido)
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"As grandes obras são realizadas, não pela força, mas pela perseverança." (Johnson)
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"Irradie sempre sua luz, em todas as direções. Ela encontrará muitos
corações necessitados, onde germinarão sementes de amor e paz." (Autor
Desconhecido)
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"Não paramos de brincar porque envelhecemos; envelhecemos porque paramos de brincar." (George Bernard Shaw)
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"Não há disfarce algum que, por muito tempo, possa
ocultar o amor onde ele existe, nem fingi-lo onde não existe." (Duque
de La Rochefoucauld)
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"Aquilo que quereis que os outros vos façam, fazei-o vós também a eles." (Jesus Cristo)
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"A melhor coisa que posso fazer pelo meu amigo é simplesmente ser seu amigo." (Henry David Thoreau)
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"A minha preocupação não está em ser coerente com as minhas
afirmações anteriores sobre determinado problema, mas em ser coerente
com a verdade." (Mahatma Gandhi)
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October 27 Ilusões :: Elisabeth Cavalcante ::
É incrível a capacidade que a mente possui de criar fantasias e ilusões acerca da realidade. E uma das áreas da vida em que elas mais se manifestam é, sem dúvida, a da afetividade.
Tenho testemunhado inúmeros casos de pessoas que embarcam em situações inacreditáveis, movidas pela ilusão de que encontraram finalmente a pessoa pela qual tanto ansiaram.
E, por mais que o outro dê sinais de não corresponder a este ideal, elas simplesmente não "enxergam", e continuam vivenciando a fantasia por um longo tempo. Demoram a cair na real e só o fazem depois de experimentar muito sofrimento e, em alguns casos, até mesmo serem vítimas de exploração por parte do outro.
Quanto mais ansiedade cultivam em relação ao encontro da alma gêmea ou do amor ideal, mais fácil se torna de acabarem vítimas deste tipo de fantasia, que as faz projetar em alguém o modelo imaginário.
A carência de amor e nutrição emocional em suas histórias de vida as levam a colocar em outra pessoa a única possibilidade de terem preenchidas suas necessidades afetivas. Como se a alegria, a felicidade e o entusiasmo pela vida só pudessem ser alcançados a partir do exterior.
Esta crença é uma das maiores causadoras da angústia que testemunhamos no ser humano. Somente o despertar do amor próprio e de uma autoconfiança sólida, que nos torne capazes de desfrutar de nossa solitude com serenidade, nos tornará capazes de atrair o amor que tanto desejamos.
Pois quando ele vier, não será uma forma de preencher nosso vazio interno, mas sim, um encontro de seres plenamente integrados em sua interioridade, a usufruir do prazer de compartilhar a vida sem qualquer tipo de dependência.
"... Tenha cuidado com o que a sua mente lhe diz. Não tenha tanta confiança nela. E nós nunca duvidamos. Podemos duvidar de todos, mas nunca duvidamos da nossa própria mente.
E foi a sua mente que o levou a este estado em que você está. Se você está num inferno, sua mente que o levou a esse inferno, e você nunca duvida desse guia. Você pode duvidar de qualquer professor, de qualquer Mestre, mas nunca duvida da sua mente. Com fé inabalável, você vive com sua mente como se ela fosse o guru. E sua mente o trouxe para toda confusão, para a miséria que você é.
Se você for duvidar de alguma coisa, duvide primeiro da sua própria mente e, cada vez que sua mente lhe disser algo, pense duas vezes.
....Você não tem tempo de meditar - de dar uma hora para a meditação. Pense duas vezes. Pergunte outra e outra vez à mente; 'Será que é o caso de eu não ter tempo? '
Eu não vejo assim. Nunca vi um homem que não tivesse tempo suficiente. Vejo gente jogar cartas e diz: 'Estamos matando o tempo.' Vão ao cinema e dizem: 'Que fazer? ' Eles estão matando o tempo, fofocando, lendo mil vezes o mesmo jornal, falando das mesmas coisas que já falaram a vida inteira e dizem: 'Não temos tempo'. Para coisas desnecessárias eles têm tempo. Por quê?
Com uma coisa desnecessária a mente não está em perigo. No momento em que você pensa em meditação, a mente se torna alerta. Agora você vai se dirigir para uma dimensão perigosa, porque meditação significa morte para a mente.
Se você se dirigir para a meditação, cedo ou tarde sua mente vai se dissolver. A mente se torna alerta e começa a perguntar 'A que horas? ' E, mesmo que haja tempo, coisas mais importantes precisam ser feitas. Primeiro, adie até mais tarde. Você pode meditar a qualquer momento. O dinheiro é mais importante. Primeiro junte dinheiro depois medite nas horas vagas. Como você pode meditar sem dinheiro? Por isso, preste atenção ao dinheiro; e medite mais tarde.
Você sente que a meditação pode ser adiada facilmente, porque ela não está relacionada com a sua sobrevivência imediata. O pão não pode ser adiado: você morrerá! O dinheiro não pode ser adiado: é essencial para suas necessidades básicas. A meditação pode ser adiada. Não está ligada à sua sobrevivência: você pode sobreviver sem ela. Na verdade, você pode facilmente sobreviver sem ela.
No momento em que mergulhar fundo na meditação, você não sobreviverá, neste mundo pelo menos. Você desaparecerá. Desaparecerá do círculo desta vida, desta roda. A meditação é igual à morte, por isso a mente fica com medo. ' Adie', ela diz. E você pode seguir adiando ad infinitum. Sua mente está sempre dizendo coisas como esta, e não pense que estou falando de outras pessoas. Estou falando especialmente de VOCÊ. Tenho encontrado muita gente inteligente que fica dizendo coisas não-inteligentes sobre meditação.
Eu estava numa grande cidade e o coletor dessa cidade veio encontrar-se comigo às 11 horas da noite. Eu já ia para a cama e ele veio e disse: ' Não! É urgente. Estou desesperado. É uma questão de vida ou de morte. Dê-me pelo menos meia hora. Estou muito desesperado. E estou tão frustrado que alguma coisa pode acontecer no meu mundo interior. Meu mundo exterior está totalmente perdido.'
Eu lhe disse ' Venha amanhã às 5 horas.' Ele respondeu: 'Isso não é possível.' Era uma questão de vida ou de morte, mas ele não podia se levantar às cinco da manhã. Ele disse: 'Não posso. Nunca me levanto assim tão cedo.' 'Tudo bem', eu lhe disse, então, venha às 10 horas.' Ele respondeu: ' Isso também vai ser difícil porque às 10:30 horas preciso estar no meu escritório'.
Ele não podia tirar um dia de folga e era uma questão de vida ou morte. Ele não era um homem ignorante. Era bastante inteligente. Esses truques eram muitos inteligentes.
Portanto, não pense que a sua mente não está fazendo os mesmos truques. Ela é muito inteligente. E, por pensar que a mente é sua, você nunca duvida. Ela não é sua, é apenas um produto social. Não é sua! Foi-lhe dada, foi-lhe impingida. Você foi ensinado e condicionado de um determinado jeito. Desde criança, sua mente foi criada pelos outros - pelos pais, pela sociedade, pelos professores. O passado está criando sua mente, influenciando sua mente. O passado morto está influenciando sua vida continuamente. A mente está tão intimamente ligada a você, a separação é tão pequena, que você se torna identificado com ela.
Você foi influenciado, engajado, preso numa condição particular e então a vida seguiu aumentando essa mente e essa mente se tornou pesada, sobrecarregando-o. Você não pode fazer nada; a mente continua a influenciá-lo à sua moda.
Suas experiências vão sendo acrescentadas à sua mente. Constantemente o seu passado está condicionando o seu momento presente. Se eu lhe digo algo, você não pensa a respeito disso de uma maneira nova, de uma maneira aberta. Sua velha mente, seu passado, entra no meio e começa a falar e debater a favor ou contra.
Lembre-se, você não é sua mente. Você não é seu corpo. Quem é você? Ou a pessoa está identificada com o corpo ou com a mente. Você pensa que é jovem, pensa que é velho, pensa que é hindu, que é jaina.
Você não é!
Você nasceu como consciência pura.
Tudo isso são prisões". - Osho
October 14
por Maria Silvia Orlovas - morlovas@terra.com.br
Você já reparou como facilmente somos gentis, inteligentes, simpáticos com pessoas estranhas e justamente na nossa casa? Com os nossos familiares costumamos muitas vezes nos mostrar muito mais fechados, irritados e carrancudos.
Já reparou como as pessoas do convívio diário tiram você do sério?
Claro que cada pessoa tem seu limite, tem suas razões e seus momentos de harmonia e desarmonia, mas a família é um teste. Você já se perguntou por quê?
Nos ensinamentos espirituais, aprendemos que normalmente a família é o berço do aprendizado e dos resgates kármicos porque nela se encontram nossos mais queridos amores e também nossos mais complicados desafetos, justamente porque é ali que nossas arestas são lapidadas. É na família que temos a liberdade de ser nós mesmos, sem máscaras, sem regras sociais, mas será que exatamente por conta dessa liberdade temos o direito de sermos desrespeitosos e mal educados? Será que porque temos que conviver com essas pessoas temos o direito de mostrarmos nossa contrariedade e mal humor?
Uma criança, supostamente, não escolhe de quem será filha, mas crescendo é naturalmente convidada a aprender e melhorar seu comportamento. Uma vez, ouvi um amigo dizer que quando crescemos podemos ou não abrir mão de uma herança maligna. O que significa que, tendo consciência, não devemos mais nos esconder atrás de comportamentos negativos de nossos pais e familiares. Podemos dizer não a algo que vem conosco de berço. Podemos mudar. E muitas vezes é esse o grande convite da nossa encarnação.
Felizmente, muitas histórias não precisam terminar em separação e ranger de dentes. Podemos construir amor em nossas vidas, podemos encontrar outras pessoas e criar um novo núcleo familiar, podemos viver da forma que desejarmos viver, porém, seja qual for o tipo de sua família, pode ter certeza que os desafios da convivência continuarão a bater em sua porta. Pode ser que você deseje morar sozinho para se proteger da intimidade complicada, mas se assim for, outros núcleos passarão a incomodar você. Quem não tem que conviver com pessoas diferentes no trabalho? Nos estudos? Ou até mesmo na academia?
A vida vai juntando as pessoas justamente porque precisamos da experiência de lidar com o outro e com os desafios que ele nos trás.
Os filhos também não vêm prontos. Quem já teve filhos, sabe muito bem que cada pessoa é um universo; crianças criadas numa mesma casa, com os mesmos pais podem ser completamente diferentes. E essas diferenças costumam se mostrar já quando são bebês. E isso é natural porque somos almas que vêm para este plano de existência com suas histórias e seus desafios. Porém, ninguém vem totalmente pronto. Todos nascemos para nos aprimorar.
Se você não está muito bem em sua casa pense no que pode ser feito para melhorar a convivência, já que nem sempre é possível sair e fechar a porta atrás de si. Será que ficar mais em silêncio não ajudaria? Será que sublimar certas provocações também não seria saudável?
Com certeza, em alguns momentos você pode ter razão e até sentir necessidade de afirmar seu ponto de vista, mas muitas vezes vale muito mais deixar as situações passarem e se dissolverem por si mesmas. Como diz Sai Baba: "Você quer ser feliz ou ter razão?"
Confira os ensinamentos e meditações curativas que Maria Silvia ensina participando de um dos seus grupos. Venha participar do seu Grupo de Meditação Dinâmica que acontece todas as quartas-feiras no seu espaço em São Paulo. Venha ouvir pessoalmente as canalizações.
Texto revisado por: Cris
October 04 Como é para você falar sobre o que sente?
:: Rosemeire Zago :: Todos nós temos um pouco de dificuldade em lidar com nossos sentimentos. Tudo começa quando ainda somos crianças. Naquela época, raramente tínhamos alguém que nos desse apoio para que pudéssemos demonstrar sentimentos como raiva, ciúme, inveja, vergonha. Em muitos casos, nem chorar era permitido. E com isso, muitas pessoas aprenderam logo cedo a engolir suas lágrimas e sentimentos. Nos ensinavam, com raríssimas exceções, que nada devíamos demonstrar, e aos poucos aprendemos a reprimir o que sentimos. Quando não tivemos quem nos ajudasse a lamentar nossos momentos de dor, solidão, tristeza, acabamos por bloquear, reprimir para outras pessoas e para nós mesmos, tudo aquilo que sentimos. Queremos ser fortes e conseguimos, mas só nós sabemos qual o preço que pagamos. Com o tempo, começamos a perceber que tudo aquilo que por anos ficou muito bem guardado, começa de alguma forma a pedir, para não dizer gritar, que precisa sair. É neste momento que inconscientemente criamos situações nas quais estes sentimentos possam ser experimentados novamente. Quando vivemos situações de desprezo, rejeição, abandono, solidão, maus-tratos, quando criança e não havia quem pudesse suportá-los ao nosso lado, passamos a recriar situações e relacionamentos para podermos expressá-los aqueles mesmos sentimentos que foram reprimidos, com a fantasia inconsciente de resolver o trauma original. Nem sempre recriamos as mesmas situações, mas sim qualquer situação que nos faça sentir os mesmos sentimentos.
Sentimentos de rejeição, abandono e abusos vividos durante a infância são os mais difíceis de serem superados. É como se registrássemos que não somos dignos de sermos amados, nem aceitos por aquilo que somos. Isso pode gerar muitas dificuldades nos relacionamentos, seja em forma de boicotes ou repetição de padrões, pela necessidade constante de aprovação e reconhecimento. Por exemplo, uma pessoa que viveu situações de rejeição e abandono durante sua infância, pode buscar, é isso mesmo, buscar inconscientemente, situações que a façam se sentir abandonada e rejeitada. Se teve um pai e/ou mãe que a rejeitaram, foram ausentes, distantes, poderá fazê-la recriar relacionamentos com pessoas que a faça se sentir igualmente rejeitada e abandonada. Isso pode parecer absurdo, mas nosso inconsciente faz exatamente isso mesmo, mas há uma intenção, que é nos libertar daqueles sentimentos que tanto machucaram e continuam a machucar, mesmo depois de muitos anos. Mas, para isso, é importante ter alguém com quem possa contar o que sentiu, lamentar, e receber todo apoio que não recebeu na época que aconteceu. Há pessoas que perderam pessoas significativas quando crianças e até hoje, já adultas, não choraram, nem elaboraram, e muito menos superaram essa dor. Ser capaz de falar sobre a dor que sentimos significa que inconscientemente estamos dispostos a aceitar e superar o que nos aconteceu. O que nem sempre é fácil, pois assusta, causa medo de sentir mais dor, o que faz com que as pessoas evitem tocar nestes assuntos, o que só causa mais dor. O fato de não falar sobre o que sentimos, não nos isenta de senti-los.
Quando passamos uma vida sendo machucados e passamos por cima, ignorando como se nada tivesse acontecido, pois do contrário ficaríamos completamente sós, acabamos por permitir que outras pessoas nos machuquem mais e mais. Assim, perdemos o foco em nossa própria vida, deixando de nos ouvir para ouvir aos outros, deixamos de ser nós mesmos para sermos quem gostariam que fôssemos, e é assim que nos perdemos de nossa essência, de quem somos verdadeiramente.
É preciso lembrar e ter consciência que se um dia alguém não o aceitou, o abandonou, muitas outras lhe deram valor, gostam de você e estão ao seu lado. É preciso parar com essa busca incessante de aprovação, seja de quem for, geralmente dos genitores, e que pode se estender por toda uma vida. Do contrário, de vítima poderá se tornar em algoz de si mesmo. Se a rejeição ainda está viva como se existisse no momento presente é porque de alguma forma você assim permite. Interrompa esse círculo vicioso de dor. Libere este sentimento para que ele se dissolva e pare de te torturar. Hoje você não precisa mais passar pelas mesmas agressões, indiferença, desprezo, vergonha, humilhação, entre tantas outras situações que já vivenciou. Hoje você pode viver na harmonia, paz, tranqüilidade, pois essa condição só depende de você. Enquanto criança não temos muitos recursos para nos defender, mas hoje adultos, podemos, e temos todo direito de sermos pessoas inteiras, felizes, sem implorar por carinho, apoio, compreensão, amor. Com certeza, você deve ter muitos momentos agradáveis registrados em sua mente. Muitas palavras e atitudes de carinho. Traga isso para o momento presente. Por que se sentir desvalorizado, diminuído, inferior, rejeitado, por que uma pessoa não o aceitou ou demonstrou aquilo que você precisava? Por que não permitir que o amor de outras pessoas, que com certeza há ao seu redor, chegue até seu coração? Quais são as pessoas que lhe demonstram amor, carinho, atenção, que lhe tratam com respeito, dignidade e consideração? Valorize essas pessoas, deixe que o amor que sentem por você seja muito maior que a rejeição e o desprezo que recebeu um dia. Você pode reagir, portanto, reaja!
A quem você gostaria de agradecer por uma palavra, um gesto, apoio, que um dia recebeu? Você já falou para essa pessoa o quanto lhe ajudou quando precisou? Por que não fazer isso agora? Dê um telefonema, escreva um e-mail, marque um almoço, jantar, um suco, um momento para falar da diferença que fez em sua vida. Você deixará essa pessoa feliz e você ficará mais ainda em saber que há pessoas com quem pode contar. Divida estes bons sentimentos com quem conseguiu fazer despertá-los dentro de você. A vida não pode ser contabilizada apenas de dor, mágoas, tristezas, mesmo que um dia existiram, elas podem ser substituídas por alegria, paz, harmonia. Saber valorizar o que recebemos de bom e partilhar com quem nos faz sentir vivos, alegres, pode ser um antídoto contra a dor que nos fizeram um dia sentir. Solte essa dor, chore o que não chorou, procure quem possa ouvi-lo, só assim irá conseguir se libertar daquilo, que por mais que negue, ainda dói dentro de você.
Rosemeire Zago é psicóloga clínica, com abordagem junguiana e especialização em Psicossomática. Desenvolve o autoconhecimento através de técnicas de relaxamento, interpretação de sonhos, importância das coincidências significativas, mensagens e sinais na vida de cada um, promovendo também o reencontro com a criança interior. Conheça meu eBook sobre interpretação de sonhos: Os Sonhos e Seus Significados. Visite seu Site Email: r.zago@uol.com.br |
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